Preconceito ainda presente no mercado de trabalho

Na agência local do Sine, o preconceito racial das empresas o que ocorre com mais frequência

Mesmo que tanta coisa tenha evoluído e mudado no mundo, uma das ações que ainda não desapareceu por completo foi o preconceito. Nesta semana, a reportagem repercutiu a história de 'Seu' Claudiomiro da Silva, 45 anos, que, embora tenha cursos na área projetista, não consegue espaço no mercado de trabalho. Na opinião dele, um dos motivos está no preconceito em função da cor da própria pele.
Diante da repercussão do caso nas redes sociais, a reportagem pauta, na edição deste fim de semana, o preconceito no mercado de trabalho, principalmente o racial, que é percebido pelo coordenador da agência do Sine de Venâncio, Lucas da Silva. Segundo ele, o Sine é um intermediador de mão de obra, ou seja, faz uma ponte entre as empresas e os trabalhadores, mas não é a agência que realiza as contratações.
Silva explica que o preconceito no mercado de trabalho é algo que existe há muitos anos e está relacionado a características culturais. Contudo, ele afirma que este diminuiu nos últimos tempos devido às leis que surgiram contra o preconceito.
Como forma de evitar que a discriminação se dissemine no mercado, a agência local já não abre vagas para empresas que usam critérios específicos para contratação, como cor de pele, altura, beleza, entre outras características. 'Eu vejo todas as pessoas como seres humanos. Todas as pessoas são seres humanos iguais', comenta. Além disso, Silva ressalta que os próprios currículos não devem conter fotografia 3cmX4cm para evitar que os empreendimentos contratem devido à aparência.
Mais pessoas, 
menos vagas
Em Venâncio, de acordo com o coordenador, ainda existem empresas muito criteriosas na hora de realizar uma contratação. Em função da crise econômica, os empreendimentos contratam menos, mas, em compensação, exigem mais qualificação. Essas exigências também acabam por limitar o número de pessoas a ingressarem no mercado. 'Hoje existem pessoas demais, mas menos vagas. Diferente de anos atrás em que havia mais vagas e menos pessoas', explica. Além disso, acrescenta que o Sine não pode arquivar currículos das pessoas e hoje oferece em torno de 80 vagas mensais. Cerca de 40% delas não são preenchidas em função das exigências. Quatro anos atrás, segundo o coordenador, a agência local do Sine disponibilizava cerca de 400 vagas por mês.
Na opinião de Silva, o preconceito no mercado de trabalho choca muito até por ocorrer em um mundo tão globalizado como o de hoje. Para ele, uma das formas de buscar diminui-lo ainda mais está na realização de campanhas de conscientização.
Para as pessoas que estão em busca de emprego, o coordenador ressalta que é essencial causar uma boa impressão à empresa. Para efetuar a contratação, os empregadores vão em busca de referências da pessoa e avaliam, também, se esta mudou muito de emprego ou não.
Sociedade 
em progressão
De acordo com a coordenadora de recursos humanos da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Juliana da Silva Corrêa, a empresa nada mais é do que uma reprodução da sociedade em microescala.
Dentro de uma organização se vive as mesmas perspectivas que na sociedade atual. Segundo Juliana, apesar da população ter evoluído com inclusão de pessoas deficientes, negros, pardos e políticas para indígenas, por exemplo, ainda precisa avançar no aspecto atitudinal. 'A forma como as pessoas lidam com os outros está em progressão. Por esta razão, ainda vemos pessoas com uma educação muito machista e preconceituosa', comenta. As políticas inclusivas avançam, mas as pessoas ainda precisam se inteirar dos conteúdos. 'Se fosse algo totalmente fluente, não seria necessário existir leis', acrescenta.
Juliana acredita que ao mesmo tempo que se encontra pessoas abertas a políticas inclusivas no mercado de trabalho, existem pessoas que são resistentes a diferenças e têm práticas preconceituosas. Diante disso, a empresa precisa adotar políticas padronizadas e deve, de preferência, orientar e acompanhar as pessoas que praticam atos discriminatórios.
Para a profissional, combater os diferentes tipos de preconceito pode ocorrer por meio da criação de programas educativos e de desenvolvimento mais amplos. Segundo ela, não basta punir ou constranger uma pessoa que age de forma preconceituosa. É preciso ensinar ela a repensar um determinado conteúdo com um outro olhar. 'Se eu tornei a minha visão limitada, é porque não me ensinaram, ao longo da minha história, a visualizar o tema de outra forma. Então é preciso expandir os meus conhecimentos', explica.
Se o preconceito ocorrer dentro de uma empresa, Juliana indica que é preciso buscar algum canal no próprio empreendimento, como ouvidoria e área de recursos humanos, por exemplo. Algumas empresas valorizam, durante uma entrevista de emprego, a qualidade competitiva de um indivíduo e o conteúdo que ele apresenta. Mas não dá para deixar de fora que existem outros empreendimentos que levam em consideração as aparências.
A profissional acredita que as empresas têm direito de escolher os candidatos mais adequados, mas devem, de preferência, trabalhar com critérios claros e objetivos baseados nos aspectos técnicos comportamentais, não na cor e apresentação da pessoa.
Matéria completa na edição impressa da Folha do Mate deste fim de semana, ou no flip.
http://www.folhadomate.com/noticias/geral15/preconceito-ainda-presente-no-mercado-de-trabalho

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