Um livro para quem não percebe nada de Filosofia

 

"Um Breve Guia para Clássicos Filosóficos" pretende servir de introdução a alguns dos mais importantes pensadores ocidentais. Mas, se acha que já é um especialista, faça o nosso quiz. Encontrar uma introdução geral à Filosofia para um leigo não é tarefa fácil. A maioria dos livros, repleta de linguagem técnica, é difícil de ler para aqueles que, não sendo verdadeiros especialistas, apenas procuram uma abordagem geral aos temas e autores. Por essa razão, James M. Russell, doutorado em Filosofia pela Universidade de Cambridge, escreveu Um breve guia para Clássicos Filosóficos, da editora Temas e Debates.

Ao contrário de outras obras, o livro de Russell não pretende ser uma abordagem exaustiva e complexa da história da filosofia ocidental. Muito pelo contrário. Quer fornecer uma introdução breve e acessível a algumas das obras e pensadores mais importantes, desde Platão a Jean Baudrillard. Ao todo, o autor selecionou 66 livros, que surgem explicados “não como um professor de Filosofia os explicaria a um aluno, mas do mesmo modo que o faríamos a um amigo interessado”, como refere na introdução.

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Fulanos doidos e o sentido da vida

O livro inclui 66 entradas, que correspondem a cada uma das obras selecionadas. Apesar de Um breve guia para Clássicos Filosóficos possuir uma estrutura que lhe dá alguma continuidade, os textos podem ser lidos e consultados separadamente — como o leitor entender. Cada entrada é introduzida por uma curta citação, que pode ou não pertencer à obra abordada, e que serve para explicar melhor o tema em questão. No final, um resumo bem-humorado sintetiza os principais pontos.
O livro está dividido em sete partes, cada uma dedicada a diferentes aspetos da tradição filosófica. A primeira, “Um Percurso Tumultuoso: A Tradição da Filosofia”, acompanha o pensamento ocidental desde Platão até Ludwig Wittgenstein, passando por filósofos como Santo Agostinho de Hipona, René Descartes ou John Stuart Mill. A abrir esta secção encontra-se a obra Os Problemas da Filosofia (1912), de Bertrand Russell. Apesar de todos os capítulos estarem organizados por ordem cronológica, James M. Russell considerou que a obra era “um ponto de partida apropriado” para o livro e para “uma exploração da história do pensamento filosófico, uma vez que oferece uma breve visão geral das questões filosóficas mais conhecidas”.
Quase um século após terem sido publicados pela primeira vez, Os Problemas da Filosofia continuam a ser uma das melhores introduções básicas a todo o tema da filosofia”, escreveu James M. Russell.
Para além de clássicos como A República de Platão, a Ética a Nicómaco de Aristóteles ou a Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant, a seleção de Russell inclui várias obras que saem fora do universo da Filosofia. O objetivo era deixar claro que não são apenas os livros filosóficos, propriamente ditos, que fornecem “inspiração filosófica”. Nas secções “Fulanos Selvagens e Doidos: Estranhos e Intrusos” e “Meditações: A Contemplação com Filosofia” foram incluídas obras como Os Irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski, O Estrangeiro, de Albert Camus (1942), O Casamento do Céu e do Inferno de William Blake (1793), O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry ou Se Isto É Um Homem de Primo Levi.

Na quarta parte, “Psicodrama: Como Viver a Nossa Vida”, Russell reuniu vários livros que “contemplam o sentido da vida, que aumentam a nossa compreensão do modo como funciona o espírito ou que consideram a questão ‘como se deverá viver a nossa vida'”. Apesar de o livro ser essencialmente dedicado a autores ocidentais, nesta parte Russell decidiu incluir um capítulo dedicado à obra A Arte da Guerra, do chinês Sun Tzu, por fornecer “conselhos básicos sobre como devemos entender as nossas vidas e os seres humanos nossos semelhantes”.
Incluímo-lo aqui, em grande parte, devido à influência duradoura que exerceu sobre o pensamento moderno, não só em aplicações militares, mas em campos tão diversos como os negócios, o desporto e até o romance”, salienta Russell no capítulo dedicado à Arte da Guerra.
Já a quinta parte, “Os Ismos do Século XX: Questões Políticas e Pessoais”, é dedicada aos mais proeminentes autores do idealismo político e filosófico da primeira metade do século XX, como Karl Marx ou Jean-Paul Sartre, e a sexta, “Filosofia Moderna: Uma Amostra”, à Filosofia Moderna e a autores como Theodoro W. Adorno, David K. Lewis e Daniel Dennett. Por fim, em “Sentido e Interpretação: A Tradição Continental”, Russell examinou a tradição da filosofia continental e a teoria crítica de autores como Roland Barthes ou Michel Foucault. De forma simples, descomplicada e até divertida.

http://observador.pt/2016/01/18/um-livro-nao-percebe-nada-filosofia/

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