Ele é Inspirador



Eduardo Lyra tem 27 anos e é um jovem empreendedor social.. Em entrevista ao O Regional, ele fala sobre a infância, o Gerando Falcões e o empreendedorismo social.

O Regional - Sua infância na favela não foi nada fácil. O que pode nos contar sobre esse período?
Eduardo Lyra - Eu tive a sorte de na minha infância ter nascido numa favela e aprendido muito sobre sobrevivência, resiliência de não poder ter tudo que eu queria, mas de ter de dar um jeito de ser feliz com o que eu tinha. Na minha infância, eu tive dificuldades com alimentação, quase morri desidratado ainda com um ano de idade, mas em contrapartida eu tive a força sobrenatural de minha preta, minha mãe que tentava me inspirar e me dizer que eu podia, apesar de tudo. Aquela frase que minha mãe sempre dizia - “Não importa de onde você vem o que importa é pra onde você vai na vida” -   me inspirou muito e me fez superar  até mesmo o  preconceito de ter tido um pai que foi parar atrás das grades,  preso por formação de quadrilha e assalto.  Mas nem a pobreza nem o preconceito racional, e nem meu pai atrás das grades foi suficiente para me impedir de ser o que eu queria ser e me tornar tão grande quanto minha mãe dizia que eu poderia ser.
 
O Regional - Você resolveu fazer a diferença seguindo o caminho dos estudos. Por que escolheu a carreira de jornalista? O que te fez seguir essa profissão?
Eduardo Lyra - Escolhi o jornalismo porque meu pai sempre sonhou em ser jornalista e muito em função do tecido social de desigualdade, influência negativa, acabou tornando-se bandido a época. Ele me influenciou muito dizendo que eu poderia ser aquilo que ele não havia conseguia ser, juntando a isso, a minha grande vocação de ouvir a história das pessoas, sempre gostei muito de ouvir, acabei enveredando nessa direção. O jornalismo me ajudou muito a resgatar minha auto-estima, a me dar uma identidade. Embora hoje eu não exerça o jornalismo eu encontrei um nicho do empreendedorismo social que é de fato onde eu causo uma transformação social, mais precisamente. Mas o jornalismo me deu ferramentas, me deu repertório, ampliou minha bagagem cultural, me deu mais insumos para poder justificar minhas ideias, estruturar projetos e conduzir um pensamento lógico. O jornalismo foi uma fonte muito grande para alimentar meus sonhos e me dar uma estrutura.
 
O Regional - Você dá palestras e escreve histórias que inspiraram 200 mil jovens a mudarem de vida, priorizando a educação. Como são desenvolvidos esses dois trabalhos?
Eduardo Lyra - O livro “Jovens Falcões” foi um projeto que ia na direção de responder aquela interrogação de que minha geração era fracassada ou de que os jovens de minha geração representavam uma geração perdida. Então eu viajei o Brasil para construir um livro. Descobri histórias de jovens que do nada foram para o tudo e estão ajudando a mudar o país com suas ideias, para responder que não somos uma geração perdida, pelo contrário, a nossa geração está remodelando e reformando a forma como se trabalha, como se faz negócios e como se causa impacto social. A minha atuação como palestrante é uma atuação vitoriosa, pelo fato de eu emplacar uma marcha pelo país passando por empresas como Microsoft, Nike, Itaú, Bradesco, Reserva, Porto Seguro Seguros, para tentar inspirar o país, sobretudo nessa época a como conseguir fazer mais, maior e melhor. Pelo fasto de ter nascido na favela e ter superado todas as camadas do preconceito, isso acaba me dando autoridade a falar de crise, porque a crise que eu vinha era de fome, era de não ter o que comer na mesa, era uma crise de perspectiva e eu superei, então quem vem da crise que eu venho não pode ter medo dessa. Minhas palestras são baseadas no ser humano, no que a gente tem de melhor que nos faz ser maior. Para ser maior a gente tem que olhar para dentro de nós mesmos, mergulhar e tentar buscar os nossos dons, talentos, forças, válvulas, cavalos o nosso driver para poder fazer com excelência. Meu giro de palestras é continuo, e é um giro de inspiração, é de mostrar para as pessoas que não é o fim, que é possível, e que dá para fazer melhor baseado não no que eu li, mas sim no que eu vivi e vivo todos os dias.
 
O Regional - Você também fundou o projeto “Gerando Falcões”, que atua nas escolas públicas do país. Qual é o principal objetivo do projeto? 
Eduardo Lyra - O “Gerando Falcões” surgiu da minha indignação em ver, que boa parte dos meus amigos ainda estavam morrendo, outros indo para a prisão e outros vivendo uma vida de muita aceitação na pobreza. Então eu fundei o “Gerando Falcões” para que outros jovens pudessem alterar sua própria narrativa de vida, assim como eu modifiquei a minha. Para fazer isso, a gente trabalha com três frentes. - esporte com aulas de tênis, futsal, skate natação, cultura - com amplo coral, talvez um dos maiores corais na Zona Leste de São Paulo, com Hip Hop e na oportunidade renda - colocando o egresso no mercado de trabalhando e levando cursos profissionalizantes para dentro do presídio gerando renda e remição da pena. O “Gerando Falcões” alcança uma média de 100 mil jovens ao ano, com parceiros como Motorola, Microsoft, geração de valor, São Judas, Guaraná Antártica, Mentos, temos um conselho muito bem estruturado. A “Gerando Falcões” a partir desse ano, auditada pela KPMG, com consultoria de gestão da Accenture, a gente faz transformação social de forma possível, com gestão, com acompanhamento de resultados e perseguindo grandes sonhos e grandes transformações. Sempre tentando puxar a maré da transformação, ainda mais acima, para que mais pessoas possam fazer parte deste pacote de mudanças. Construir um país maior, melhor, requer profissionalismo, firmeza requer uma disciplina fanática e uma busca eficaz de resultados poderosos. 
 
O Regional - É empreendedor social. Como é essa forma de empreendedor? Poderia nos contar como funciona?
Eduardo Lyra - Um empreendedor social persegue mudanças, ele localiza problemas, cria soluções e tenta fazer com que isso gere também um bolo econômico, uma receita, para que possa dar sustentabilidade para suas ações, para que ele possa fazer algo que seja duradouro, sustentável, e por isso, é um agente econômico local. Ele gera emprego, renda, e consequentemente uma dignidade para as pessoas. Em resumo ele é um transformador social que é capaz também de gerar uma receita, uma economia e desenvolvimento para o espaço em que ele vive. O que diferencia é que ele fica o tempo inteiro buscando soluções para problemas locais, comunitários e não necessariamente ele quer “ganhar um milhão de reais” ele quer “tocar um milhão de pessoas”. 
 
O Regional - O que é mais gratificante na carreira que seguiu?
Eduardo Lyra - Poder influenciar pessoas. Mostrar que existe um mundo maior do que o lugar onde se mora.
 
O Regional - No ano passado apareceu na lista da Forbes, como uma das 30 personalidades jovens que mais se destacaram no país. Como foi receber essa notícia?
Eduardo Lyra - Uma baita satisfação e, ao mesmo tempo, uma super responsabilidade. Ou seja, quando um cara da minha origem, aparece nesta lista, ele não pode mais desistir.
 
O Regional - No livro “Jovens Falcões” qual das histórias te tocou mais? Por quê? 
Eduardo Lyra - Acredito que da Bel Pesce, é também a que tenho mais proximidade. Uma jovem que saiu do Brasil por escolha pessoal, estudar no MIT, lá conseguiu cinco diplomas voltou ao país, está empreendendo aqui pela “Faz & Inova” construiu uma narrativa encantadora de empreendedorismo, uma narrativa pessoal, tem inspirado milhares de jovens com seus livros, com suas palestras, com suas iniciativas e agora também está fazendo um livro da minha vida. Não um livro da minha vida, mas sim das coisas que ela aprendeu comigo ou que aprendeu com a minha vida, que em breve ela vai divulgar e anunciar. A Isabel é uma jovem que mostra que é possível realizar sonhos, é possível fazer além do que as pessoas no geral esperam de nos mesmos.
 
O Regional - Por contra do seu trabalho foi selecionando pelo fórum econômico mundial como um dos quinze jovens brasileiros que podem mudar o mundo. Isso mostra que está no caminho certo?
Eduardo Lyra - Pode ser um indicador. Mas o que mostra mesmo que estou no caminho certo são as pessoas que salvamos do crime. São os jovens de favelas que inspiramos a ir atrás de boas notas. São as crianças de baixa renda que incluímos no mundo do esporte, da arte e da cultura. O que diz que estou no caminho certo é o rastro de mudança social. Os prêmios são consequência deste posicionamento e trabalho.
 
O Regional - Se pudesse dar algum conselho para aqueles que assim como você querem fazer a diferença. O que diria?
Eduardo Lyra - Acredite em si mesmo. Hoje mais jovens morrem por suicídio - no mundo - do que vítima do HIV. Tem que acreditar em si e usar o próprio potencial a seu favor. O tempo é o bem mais precioso que temos. E usar o tempo apenas para se queixar da vida é desperdício. É necessário assumir o controle e pilotar a mudança da vida. Nós temos de estar no controle da vida e fazer dela o que sonhamos.

“O tempo é o bem mais precioso que temos. E usar o tempo apenas para 
se queixar da vida é desperdício. É necessário assumir o controle e pilotar a mudança da vida. 
Nós temos de estar no controle da vida e fazer dela o que sonhamos”.

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