Crescimento do ensino superior - Por Wanda Camargo*

O IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, fundação pública brasileira que realiza censos e organiza as informações coletadas, suprindo órgãos não apenas federais, mas também estaduais, municipais, instituições privadas e público em geral, em sua mais recente divulgação demonstra que o número de municípios com instituições de ensino superior dobrou em pouco menos de quinze anos no país, e que tal crescimento se deve, na sua esmagadora maioria, à instalação de escolas privadas, responsáveis pela quase totalidade da passagem de 32,9% em 2004 para 58,5% em 2014 do número de estudantes entre 18 e 24 anos realizando curso superior, segundo dados contidos na Síntese de Indicadores Sociais.

Tal crescimento, fortemente impulsionado pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos) e FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), ambos mantidos pelo governo federal, terá este novo ano uma série de desafios, pois ambos enfrentaram dificuldades em 2015, tendo sido descontinuados por alguns períodos, ou reduzidos significativamente.

Embora algumas pessoas declarem abertamente que o Brasil conta hoje com um número suficiente ou até excessivo de escolas superiores, se considerarmos a população e a dificuldade de acesso a muitos municípios, constatamos que isso não é verdadeiro, pois no ano de 2014, segundo ainda o IBGE, apenas 39,9% dos municípios brasileiros abrigavam cursos superiores.

Uma visão comum acerca da universidade é de que ela formaria “doutores”, pessoas qualificadas apenas para o exercício de uma profissão de nível superior, e nesse sentido bastaria formar o número suficiente desses profissionais para atender às demandas imediatas do mundo do trabalho. Ocorre que a educação superior tem um papel de enorme relevância no futuro de um país em todos os aspectos, a formação de profissionais é apenas um deles. Não pode ser exagerada a importância de pessoas qualificadas para exercer as funções essenciais ao funcionamento da sociedade. Também deve ser considerado que a escola forma cidadãos, no sentido de que pessoas instruídas tendem a conhecer, defender e exigir seus direitos e os dos demais. A Coreia do Sul, que em menos de quarenta anos emergiu da condição de país subdesenvolvido a de uma das maiores potencias industriais do planeta, tem na educação o seu maior pilar; é um dos países com maior percentual de formados em curso superior.

O sociólogo e educador Pierre Bourdieu conceituou “Capital Cultural” como um recurso social, promotor de status e poder em sociedades em que o acesso a esse bem é restrito. Constitui-se em um conjunto de valores, normas, estratégias, recebido principalmente da família e do círculo social próximo, e que é determinante para as atitudes e facilidades do educando. Uma das principais funções da universidade é nivelar, dentro do possível, as oportunidades de seus egressos, que a ela chegaram com diferentes graus de capital cultural; nesse sentido a academia assume grande importância para a efetiva justiça social. 

Portanto, estamos ainda longe de atingir patamares adequados para a garantia da formação profissional necessária em número de escolas, e isso inclui não apenas as instituições de nível superior, mas também as de níveis médio e básico; o país é carente de ensino, e não apenas formal, mas também informal, como cursos de idiomas, artes, gastronomia, e cursos complementares nas mais variadas áreas técnicas, científicas, artísticas, culturais.

Educação é importante demais para ser restrita conceitualmente apenas em aspectos protocolares, é viva e fundamental para o desenvolvimento comunitário, e, como a vida, não se prende a fórmulas.
Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

Julia Cristina Nascimento
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