Tecnologia e você: quem domina quem?

Placa na loja de quitutes mineiros Paozim, em São Paulo (Foto: Sergio Chaia/Editora Globo)

Recentemente, eu presenciei três histórias reais que venho compartilhar com vocês:
1. O cenário: um almoço de domingo em um restaurante italiano de alto padrão em São Paulo. Os personagens: família reunida, marido, esposa, um filho de 5 anos e um bebê com menos de um ano de idade. Todos concentrados em seus smartphones! O menino e o bebê totalmente vidrados em seus iPads. Silêncio total à mesa.
2. Personagem e cenário: candidato à vaga de diretor na sala de espera, minutos antes de uma entrevista final para o cargo em uma grande empresa. Dois smartphones sobre a mesa, olhos vidrados a cada segundo neles a ponto de, mesmo durante a entrevista, os aparelhos permaneceram ao alcance de seus olhos, como se estivesse cuidando de dois cães que poderiam sair correndo a qualquer momento.
3. Personagens: dois vice-presidentes de uma empresa bem importante do sul do país juntos à mesa de reunião, sentados lado a lado. Conversam os assuntos mais diversos enviando e-mails um ao outro, como se estivessem fisicamente separados por milhares de quilômetros e não por centímetros.
É lógico que reconheço os enormes benefícios que a tecnologia nos proporcionou e continua a nos trazer a cada dia. Sou um enorme defensor do uso da tecnologia para melhorar os negócios, conectar clientes e amigos,  evoluir processos e transações comerciais, além de permitir acesso a informação, educação, cultura, saúde ao maior número de pessoas.

O ponto aqui não é esse. Achei interessante refletir sobre como, aonde e quanto utilizamos a tecnologia e fazer um balanço dos benefícios e efeitos colaterais que ela nos traz. Efeitos colaterais? Como assim? Se você está mais focado no seu Facebook do que nos olhos do seu filho em um almoço de domingo ou em um belo dia de sol no parque, isso para mim é efeito colateral. O uso da tecnologia de forma excessiva torna uma atividade que pode ser interessante em superficial e negativa, deixando as verdadeiras relações totalmente sem brilho e profundidade.
Dê uma pensada em como anda sua relação com a tecnologia – se ela te ajuda ou atrapalha no que mais importa. Às vezes, não temos a menor consciência do nosso consumo diário de aplicativos, sites ou redes sociais.
Uma boa forma de saber se não está passando dos limites é fazer uma análise da onde gasta ou investe seu tempo. Existem vários aplicativos, que te ajudam a mensurar as horas dedicadas a cada atividade do seu dia. O Atracker é um deles. Procure aquele que você mais se adapta e faça um teste por uma semana. Garanto que os resultados podem surpreender.
Atualmente, estimular uma conversa franca, interativa e olho no olho no mundo corporativo está cada vez mais difícil. Um vice-presidente de recursos humanos de uma multinacional me confidenciou que investiu pesado em um evento cujo objetivo principal era fazer com que os líderes conversassem mais, construíssem relações e se preocupassem uns com os outros. Plataformas tecnológicas ainda não conseguiram produzir esse efeito, tão benéfico para os negócios e para as pessoas. Nessa empresa gerou o efeito oposto. Todos juntos fisicamente, mas isolados na troca de ideias e desafios.
Não quero dizer o que está certo ou errado, apenas provocar uma reflexão. Pensando nisso, quis postar aqui a foto da loja de comidas mineiras Paozim no bairro de Pinheiros, em São Paulo, te sirva de estímulo para checar como anda sua relação com a tecnologia.

Nada supera uma boa conversa, ainda mais acompanhada  por um gostoso cafezinho e pão de queijo. É bão demais, sô!
 
Sergio Chaia  foi presidente da Nextel , Sodexho Pass e vice- presidente para a América Latina da Symantec. Participa de diversos conselhos e atualmente é chairman da Óticas Carol. Também é palestrante e autor do livro Será que é possível?
http://epocanegocios.globo.com/colunas/Ja-pensou/noticia/2015/10/tecnologia-e-voce-quem-domina-quem.html

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