Top plus size conta ter sido vítima de duplo preconceito: "Modelos negras têm cara de pobre"

SILVIA NEVES DESFILA PARA COLEÇÃO VERÃO 2016 DE MARIALÍCIA PLUS  (Foto: ADRIANA LÍBINI)
SILVIA NEVES NÃO SE IMPORTA MAIS EM POSAR COM POUCA ROUPA (Foto: CASSIANO GRANDI)


Desde que começou a trabalhar como modelo há 6 anos, a mineira Silvia Neves, 41, tem enfrentado um duplo preconceito na moda: ser negra e plus size. Adiscriminação, mascarada publicamente, surgiu de forma nítida antes de se tornar um dos nomes mais requisitados do mercado.
"Vejo a predileção em trabalhos por modelos brancas. Quando comecei, cheguei a escutar de um booker que 'modelos negras não vendiam porque tinham cara de pobre'", contou Neves à Marie Claire. "Nunca mais voltei na agência."
O legado das veteranas Naomi Cambell e Tyra Banks nas décadas de 80 e 90, e mesmo a ascensão de tops como Laís Ribeiro e Jourdan Dunn, mostram que investir na beleza negra dá retorno econômico, contrariando o argumento racista. Silvia, coroada Miss Plus Size Oficial Sênior em 2014, e considerada uma das mais importantes do ramo, é outra prova disso.
"Nunca me fiz de vítima ou me deixei abater, sou consciente de todas as minhas potencialidades. Não são palavras ou olhares tortos que me farão me sentir menor". Ela já estrelou diversas campanhas comerciais e vem figurando na mídia como uma das grandes representante da categoria.
Seu último desfile foi no Fashion Weekend Plus Size, um dos maiores eventos do gênero no país, que aconteceu no dia 25 de julho, em São Paulo. Na edição deste ano, a beleza negra foi o tema central, conforme contou Renata Poskus, diretora e autora do Blog Mulherão. “Percebemos que vencemos uma primeira batalha, que era a de incluir nosso evento de tamanhos maiores no calendário da moda. Agora temos que quebrar outros paradigmas, como o da etnia.”
PLUS SIZE
Na busca pelo "corpo perfeito", Silvia Neves se submeteu a dietas nada saudáveis que restringiam sua alimentação a alface, tomate e chá até ser diagnosticada com anemia grave. "A partir desse momento, decidi que meu peso não influenciaria mais na minha felicidade".

Ela acreditava precisar ter determinadas proporções e características físicas de uma minoria de mulheres para se encaixar em padrões inatingíveis.
"A questão mais séria de tudo isso é que a maioria pensa que as modelos são perfeitas e não reparam que por trás de uma foto tem toda produção, maquiagem e doses de Photoshop. O mercado da moda vende o irreal e muitos tomam isso como o ideal".
Hoje, ao conquistar uma carreira como modelo profissional de tamanhos grandes, ela preza pelo bem-estar aliado a saúde.  "Faço ginástica, danço e tenho ótimos hábitos alimentares. Isso é um prazer e não um sacrifício". 
Nem mesmo a roupa de banho ou lingeries a inibem. "Hoje sou a gordinha abusada, vou à praia, uso biquíni pequeno e me amo como sou, sem neuras. O resto é ser felizcomo somos!", afirma.
MODELO POSA DE LINGERIE PARA CAMPANHA (Foto: CASSIANO GRANDI)
http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2015/07/top-plus-size-conta-ter-sido-vitima-de-preconceito-modelos-negras-tem-cara-de-pobre.html

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