Mentalidade empreendedora brasileira

Já virou clichê a afirmação de que o brasileiro é o povo mais empreendedor do mundo. Na verdade, pesquisas mostram que ele ocupa a segunda colocação nesse ranking, ficando logo atrás dos turcos. No entanto, mais que detectar essa característica, é importante analisar o que motiva esse personagem tão importante para o desenvolvimento econômico.
Fica a pergunta: o que leva o brasileiro a empreender? Não há uma única razão, mas vários motivos. Da mesma forma, não há um perfil de empreendedor, pois esse personagem econômico é multifacetado. Ele pode ser o nerd recém-saído da universidade, criando uma startup; o aposentado buscando uma ocupação; ou o demitido que decide ser seu próprio patrão. Idades distintas, classes sociais diferentes e motivações variadas. Mas um traço une tipos tão variados – a certeza de que, seja qual for o cenário econômico, haverá consumidores ávidos por produtos ou serviços inovadores. 
Inventividade
Um traço marcante da mentalidade empreendedora no país é a busca por alternativas e caminhos ainda não testados. A inovação, normalmente imaginada apenas pelo viés tecnológico, aqui se apresenta como propulsora de novas abordagens para solução de um problema. Isso vale tanto para o aplicativo para smartphone que facilita a vida do executivo, quanto para o utensílio plástico que ajuda a dona de casa em uma tarefa cotidiana.
Ao mesmo tempo em que busca a inovação e não teme risco, o empreendedor brasileiro se mostra extremamente hostil ao erro. Reinaldo Normand, um dos grandes nomes do empreendedorismo no país, aponta esse traço como aspecto negativo da mentalidade dos empresários no Brasil.
Normand sugere que o empreendedor aprenda com o Vale do Silício, onde cada erro é valorizado como experiência e aprendizado. Ele lembra que muitos investidores-anjo preferem apostar em quem já montou um negócio e quebrou. Talvez a aversão ao erro tenha a ver com a ideia da necessidade de sucesso imediato, tão propagada por falsos gurus da administração.
Fora da zona de conforto


As oscilações da economia costumam não afetar a disposição do empreendedor brasileiro. Analistas atribuem essa característica ao jogo de cintura conquistado pelos empresários nos tempos de inflação alta. Ainda que muitos empreendedores não tenham vivido aquela época, eles entendem que crises geram oportunidades.
Se a instabilidade não preocupa, a previsibilidade desperta desconfiança entre os empreendedores. Eles têm a percepção de que novos nichos de negócios requerem abordagens também inovadoras. Daí ser tão raro um empreendedor apresentar um plano de negócios estruturado; no máximo surge o canvas de modelo de negócio.
Mix de intuição e formação
O empreendedorismo brasileiro ainda valoriza a figura do empresário “com talento nato” para negócios. Nesse caso, administrar a empresa é uma questão de habilidade pessoal. Aos poucos, tal visão vem se alterando. Muitos empreendedores buscam formação em finanças, administração e marketing, em uma tentativa de potencializar habilidades pessoais com o auxílio de uma formação mais embasada.
 Um exemplo que mostra o sucesso do mix habilidade pessoal e formação profissional é Reinaldo Normand. Em 1996, quando ele estava no início da faculdade, montou um site de jogos. Descobriu que era um empreendedor. Desde então criou ou ajudou a criar diversas empresas (Oelli Brasil, Zeebo, Tectoy Digital), trabalhou no Vale do Silício, conduziu negócios em quatro continentes, fez cursos nas universidades de Berkeley e Stanford. E tudo começou com o site de games, uma ideia inovadora na época em que a internet dava seus primeiros passos rumo à massificação no Brasil.
Outro exemplo de sucesso do empreendedorismo brasileiro é a Netshoes. A gigante do e-commerce começou quando Márcio Kumruian se juntou a um primo para abrir uma pequena loja física. O foco era para vender tênis a alunos de uma universidade paulista nas proximidades. O nome foi sugestão de uma tia antenada com uma novidade na época – a internet – mas ninguém imaginava em usar a web como canal de vendas. Anos depois, a loja passou a oferecer os produtos pela internet. A ideia era testar o mecado.
Kumruian não imaginava que a loja física desapareceria em 2007, cinco anos após o lançamento da primeira versão do site. A transição do mundo físico para o funcionamento 100% virtual foi uma jogada ousada, mas com risco calculado. Hoje a Netshoes é um negócio bilionário e quase ninguém mais lembra daquela lojinha perto da universidade.
http://www.administradores.com.br/artigos/empreendedorismo/mentalidade-empreendedora-brasileira/85156/

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