O Pão e Circo na Cidade de Salvador

Célia Sacramento

Em meados dos anos de 1980, frequentando o cursinho pré-vestibular, especificamente nas aulas de história do saudoso Mestre Zé Nilton Andrade, tive acesso ao conhecimento dos modelos de gestão do império Romano, entre tantos o “Pão e Circo” se destaca. Esse sistema os permitiu a manutenção do poder por séculos. Em função do seu sucesso, ele foi reproduzido, em outros moldes, por governantes de várias partes do mundo e se sucede nos dias atuais. 
No Brasil da nossa “contemporaneidade” vimos o modelo “pão e circo” ser utilizado por gestores públicos tradicionais dos níveis federal, estadual e municipal, inclusive no período escravocrata. Afinal depois de muito trabalhar e gerar lucro aos poderosos, permitir a festa possibilita ao trabalhador e seus familiares um momento de lazer e descontração, regado de muita cachaça, cerveja e outros. Porém, o principal usuário desse sistema é a nossa Juventude.
Ouvi dos meus pais que o diferencial de um cidadão está contido no seu nível de conhecimento, ele pode dotar os indivíduos de um olhar diferente e promissor para os caminhos que a vida oferece. Com eles também soube que o melhor lugar para obtê-lo é na escola.
O fenômeno da evasão escolar das escolas públicas, principalmente dos turnos vespertino e noturno tem aterrorizado aqueles que compreendem o papel da educação. Porém, a falta de dedicação e estudo para entender o fato é altamente preocupante. Dizer “tem escola e professor disponível e eles não frequentam porque não querem”, é fácil. Difícil é entender porque esses estudantes, dos estabelecimentos de ensino do município e do estado, até se matriculam, mas não permanecem na escola. A saída realmente é fechá-las?
A Cidade de Salvador possuía um dos melhores Ginásios Olímpicos da Bahia, o Antônio Balbino, nele nossos jovens treinavam, participavam de campeonatos de boxe, natação, karaté, Judô, etc. O ginásio foi demolido, em seu lugar temos uma moderna arena, por sinal de primeiro mundo. 
A cantada “São Salvador, Bahia de São Salvador” possui um dos maiores e mais bonitos litorais brasileiros. Esse espaço marítimo poderia ser utilizado para fortalecer as escolas de surf e esportes aquáticos, com projetos para a juventude, aproveitando a onda “Gabriel Medina”. Ainda há a falta de equipamentos e espaços para esses jovens ocuparem a mente nas férias. Os pais que podem pagar não perdem a oportunidade de colocar os seus filhos nas escolinhas que estão nas praias, clube de férias e outros. E o que resta aos jovens que os pais não têm essa condição?
Nas férias desse verão 2015, em uma rápida circulada pela cidade, qualquer um pode encontrar nossos jovens de 13 a 21 anos dos bairros periféricos da cidade, em lugares diversos. Muitos sempre trabalhando ajudando os pais nas padarias, pequenas lojas de roupas, armarinhos, salões de beleza, peixarias, açougues, bancas de frutas e verduras, etc. Outros jogando futebol nas pequenas e grandes quadras, que graças a sua confiança no governo Renova Salvador estão espalhadas por toda cidade. E também existem quase 300 jovens participando do Projeto Jovem Empreendedor Social. Além, é claro de frequentarem as praças agora amplamente reformadas e outras criadas pelos quatro cantos da cidade. Contamos também com nossos artistas e demais integrantes da sociedade civil organizada, que periodicamente desenvolvem projetos socioculturais para a juventude das diversas áreas da cidade. Mas tudo isso, não atinge a todos os jovens. 
Em agradecimento ao honroso título de melhor “Gestão Municipal das capitais brasileiras”, e principalmente depois de conseguir pela primeira vez na cidade “de todos os cantos, encantos e axés” fazer quase uma semana de festas, gratuita e de altíssimo nível, atingindo um público de 132,5 mil pessoas* por dia em sua maioria jovens, o grande desafio agora é conseguir proporcionar, neste verão e durante o ano, atividades positivas que possam ocupar a mente de muitos jovens que estão excluídos das políticas públicas de Salvador e em outras cidades do interior. São os chamados geração NEM, NEM = nem trabalham e nem estudam. 
Só não vê quem não quer! A cidade de Salvador já é outra. Dar continuidade as ações estruturantes para deixá-las sempre limpa e cada dia mais organizada faz parte do processo organizacional planejado, que foi implantado pela gestão “Sucesso Total” que tomou posse em 01-01-2013. Todavia, será o cuidado atencioso com a juventude que tem em seus indicadores um alarmante crescimento nas áreas de genocídio, DST/AIDS, desemprego, gravidez na adolescência e evasão escolar, que vai fazer a diferença.
O Modelo de gestão que você escolheu quando votou, não é de “PÃO e CIRCO” como tradicionalmente existiu por aqui. Continue acompanhando, observando e criticando construtivamente e verás o legado de “dias melhores para sempre”.
Como eu e o poeta já o fizemos, se ligue: “ideologia, eu quero uma para viver”! As pessoas que estão no poder soteropolitano trabalham com prática de Governança na gestão pública: transparência, controle, justiça tributária social, respeito a diversidade, sustentabilidade e inclusão social. Participe do processo democrático e leve suas contribuições para a construção de uma sociedade mais inclusiva no projeto “Ouvindo Nosso Bairro”. Reitere as necessidades de políticas públicas para a inclusão social da nossa Juventude, que não pode viver de Pão e Circo.
http://www.tribunadabahia.com.br/2015/01/14/pao-circo-na-cidade-de-salvador

Comentários

#Fale conosco

Nome

E-mail *

Mensagem *