A política, suas interfaces e desdobramentos


A política lato sensu, por definição, é o ato benfazejo de participar ativamente das deliberações da sociedade, bem como se imiscuir positivamente em todos os aspectos concernentes à vida, logo, fazer política não é necessariamente militar no sentido partidário - o que é uma parte do todo - , mas também exercer de uma maneira salutar ingerência no âmbito afetivo, familiar, conjugal e, máxime, no âmbito social.
      A política no espectro partidário, por sua vez, tem uma relevância ímpar para toda a sociedade, visto que, parafraseando Aristóteles, a política - no sentido partidário, stricto sensu - tem que visar ao bem comum, portanto, esta é a real razão de ser da política nesta vertente. Lastimavelmente, no Brasil, temos uma inversão deste paradigma sublime, uma vez que a política nacional não concerne a valores e fins, mas sim a pessoas e meios para a consecução do poder, o qual, na maioria avassaladora das vezes, será utilizado de um modo absolutamente pernicioso e em detrimento da população.
       Podemos utilizar como parâmetro a última e recente eleição presidencial para efeito de exame dos fatos a fim de fazermos um diagnóstico pormenorizado do contexto atual, bem como suas nuances e origens, de sorte que o raciocínio nos conduza a uma visão mais transparente da conjuntura na qual estamos. Pois bem, o fator crucial mais patente de avaliação de presidenciáveis evidentemente foi os debates, nos quais foram demonstrados taxativamente o denodo, a capacitação, o linguajar e, sobretudo, quem detinha consigo mais coerência em termos de programa de governo. Nesse sentido, podemos inferir que o brasileiro claudicou, tendo em vista os resultados nas urnas que, por óbvio, não coadunam com o discurso; com os resultados logrados e, mormente, com os fatos propalados pela mídia que delatavam a corrupção do atual governo, destarte, é ininteligível a reação da população no pleito frente a esses fatores que colocam a imagem já corroída do governo em flagrante contrassenso com os próprios atos e ações.
         Temos que salientar, todavia, que no âmbito cultural a esquerda é majoritariamente superior, tendo em conta o advento, na metade do século vinte, dos autores Antonio Gramsci e, ulteriormente, Herbert Marcuse, os quais exerceram uma influência maciça na cultura brasileira. Gramsci advogava a tese de que a revolução cultural dar-se-ia mediante a ocupação de espaços por correligionários marxistas em todas as entidades da sociedade civil, em especial no sistema educacional, nas instituições religiosas e nos meios de comunicação.
Marcuse, por sua vez, sob um novo enfoque, chegou à conclusão de que uma revolução cultural com o fim de manipular tão somente o proletariado seria inviável, posto que tal camada social ascendeu socialmente em virtude do avanço do capitalismo, logo, tal revolução teria que necessariamente abranger o que Marx denominava de lumpemproletariado - , que é composto por miseráveis, desvalidos, meliantes, prostitutas e afins. Não à toa, vemos indivíduos em pleno século vinte e um preconizando tal sistema político fracassado, técnica e empiricamente, em todas as instâncias da sociedade, independentemente de sexo, etnia, credo ou quaisquer peculiaridades ou características. Assim, temos uma noção pragmática dos efeitos decorrentes de tal proselitismo ideológico.
          Ademais, uma vez efetuada a hegemonia cultural(o que infelizmente já aconteceu), a esquerda perpassa para o passo superveniente, o qual é subjugar todas as esferas do poder a seu bel-prazer mediante regulamentações e legiferações que detém, em rigor, na sua terminologia, definições eufemísticas para demover os leigos a sucumbirem a seu engodo. Os exemplos são profusos, tais quais o "marco civil da internet", que é, à socapa, a censura da internet.
O projeto de "democratização da mídia", que é a censura de todos os veículos de comunicação, indistintamente. Temos também o decreto 8243 - que já foi fulminado na câmara dos deputados pelo decreto legislativo 1.491, ficando, agora, a critério do senado federal apreciá-lo e julgá-lo - , que submete o congresso nacional a movimentos sociais, cujas composições seriam formadas pelos "amigos do rei", sob pena de comprometer a nossa democracia representativa, dentre outros um tanto quanto tendenciosos.
            Além disso, o mais estapafúrdio dessa corrida eleitoral foi o fato de ela ser espúria a todo o tempo, durante o qual as ilicitudes passaram absolutamente despercebidas, sob a égide de um silêncio retumbante. Elas são, a saber: o partido dos trabalhadores(PT) é ilegal, já que a lei 9.096/95 - lei dos partidos políticos - veda toda e qualquer subordinação a entidades ou governos estrangeiros e o PT é subordinado aos interesses do Foro de São Paulo - entidade que visa a reedificar na América latina o que foi perdido no leste europeu, mais precisamente na cortina de ferro.
A propósito, o ato através do qual se prova cabalmente que o PT se subordina com obediência servil aos interesses de tal entidade corrobora outra ação inconstitucional - noutras palavras, delito - que foi perpetrada por nossa presidente, ato este que entregou o dinheiro do erário(nosso dinheiro), mediante empréstimos escusos que são ostensivamente criminosos, pois ferem o artigo 49 inciso primeiro da carta magna, que diz que todos os tratados, acordos, ou atos internacionais devem necessariamente passar pelo crivo do congresso nacional, pois, eventualmente, podem ensejar encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional, logo, tal ato seguramente é passível de impeachment. Trocando em miúdos, ela não poderia estar empossada ou, em última análise, não poderia concorrer a cargo público.
         Em suma, perscrutando meticulosamente as circunstâncias e os fatos chegamos a uma conjuntura dentro da qual há, indubitavelmente, um cenário cujos meandros são periclitantes, vide as coalizões celebradas pelo nosso governo cujo alinhamento ideológico não é alvissareiro e nem tampouco chancelado pela história das civilizações, uma vez que o socialismo, bem como o comunismo nunca foram recomendáveis quando o assunto é liberdade política, civil, de informação e, notadamente, econômica. Estamos em conluio com países cujo regime é ditatorial, a exemplo de Cuba, Venezuela e outros bolivarianos, os quais, sem excessão, estão sob a batuta do Foro de São Paulo.
Logo, se não difundirmos massivamente as ideologias liberais e a nossa oposição no  congresso não for recalcitrante e efetiva às imposições que emanarão do executivo, decerto estaremos fadados a um destino agônico. Torçamos pela relutância da oposição e pela força das nossas instituições, posto que, até 2018, a  presidente poderá indicar mais cinco novos ministros para a mais alta corte do judiciário, o que desaguará no aparelhamento integral deste magno e imprescindível poder que é conhecido como " a derradeira trincheira da cidadania". Novamente: torçamos pela solidez das nossas instituições; torçamos pela sobrevivência da democracia, pois a iminente ameaça está à espreita diuturnamente arquitetando a insidiosa e sorrateira investida, contra a qual temos que estar vigilantes...

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