Cortando pela metade

Se eu pudesse mudar apenas uma coisa no Brasil, cortaria a nossa classe política pela metade.


Se você perdeu meia hora que seja assistindo ao programa eleitoral do primeiro turno, deve ter visto candidatos super-heróis e personagens bíblicos, um ou outro Barack Obama ou Osama Bin Laden, meia dúzia de ex-participantes de reality show, cantor e artista falido, e um monte de gente que mais parece estar contando com o carnê da felicidade do que com um cargo de confiança pública.
É disso que precisamos?
Se eu pudesse mudar apenas uma coisa no Brasil, cortaria a nossa classe política pela metade.
Simples assim, 50% a menos a ser realizado nas próximas eleições.
O motivo mais óbvio é o custo. Pela última informação que tenho, a atividade parlamentar custa aos nossos bolsos 20 bilhões ao ano. Ao olhar para todos esses vereadores, Deputados Estaduais, Federais, Senadores e o séquito de profissionais que gravitam em torno dessas pessoas, é difícil pensar que não se poderia fazer mais com menos dinheiro.
Mais importante, a coisa ficaria muito mais clara. Qual foi a última vez que você ficou sabendo sobre as atividades dos vereadores da cidade aonde mora? Quem dirá dos deputados estaduais? Vamos falar a verdade: Se menos gente fosse eleita, mais difícil seria “chegar lá”, e teríamos menos espaço para ineficiência e perda de tempo. Quanto menos cacique na tribo, mais podemos olhar de perto o que cada um está fazendo, e mais fácil seria acompanhar e fiscalizar as atividades de nossos governantes.
Do ponto de vista da organização, nunca se esqueça de que se você quiser tornar algo difícil de ser realizado, basta montar um comitê cheio de gente e viver precisando da opinião de todo mundo antes de fazer qualquer coisa. Diminua-se o número de políticos, e aposto que as coisas andariam com mais tranquilidade.
O volume de pessoas tem um efeito interessante: Quanto mais gente e cargos, mais atividades essas pessoas acham para fazer, e acabam fazendo coisa demais onde é relativamente fácil e traz poucos ganhos reais ao mesmo tempo em que torna mais difícil resolver os problemas complicados pela necessidade de alinhar um grande número de pessoas. Não precisamos de tanta gente dando nomes a ruas e praças, inventando feriados e datas comemorativas ou vendo nos cargos públicos a chance de tirar o nome do vermelho. Se a algo que a ciência da Administração aprendeu faz um bom tempo é que grupos menores e mais aptos atuam de forma muito superior do que grupos grandes e confusos.
Antes que alguém reclame que isso é injusto, traria distorções ao sistema ou algo parecido, digo que há muito tempo atrás fiz uma pesquisa que indicou que nosso modelo de eleições já é distorcido. Os estados com populações menores possuem uma influência desproporcional pois acabam colocando mais representantes no nível federal por pessoa do que estados mais populosos. Em outras palavras, quem mora em estados menos populosos elege mais Deputados Federais e Senadores por eleitor. É por inércia, não por justiça, que as coisas continuam como são.
Aos bons políticos, parabenizo pelos mandatos, e espero que trabalhem para tornar nosso país melhor.
Aos outros, realmente gostaria de ver um número cada vez menor chegando lá. É um custo muito alto para resultados praticamente inexistentes.
Sei que é quase loucura imaginar que os políticos topariam diminuir seus próprios cargos. Dificilmente uma “classe profissional” diminuiria as próprias oportunidades. Mas sempre se pode sonhar…
http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/cortando-pela-metade/81812/

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