MST: 30 anos de luta por reforma agrária popular

Há 30 anos centenas de trabalhadores rurais decidiram fundar o Movimento Sem Terra (MST). A ideia era criar um movimento social camponês, autônomo, que lutasse pela terra, pela reforma agrária e pelas transformações sociais necessárias para o nosso país. Eram posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores. Trabalhadores rurais sem terras, que estavam desprovidos do seu direito de produzir alimentos. Expulsos por um projeto autoritário para o campo brasileiro, capitaneado pela ditadura militar, que então cerceava direitos e liberdades de toda a sociedade. 

Um projeto que anunciava a “modernização” do campo quando, na verdade, estimulava o uso massivo de agrotóxicos e a mecanização, baseados em fartos (e exclusivos ao latifúndio) créditos rurais; ao mesmo tempo em que ampliavam o controle da agricultura nas mãos de grandes conglomerados agroindustriais. Depois de décadas de lutas e enfrentamentos, o MST se constitui no maior movimento social do Brasil e dos maiores do mundo, possui mais de 900 assentamentos que abrigam cerca de 350 mil famílias assentadas, além de mais de 100 mil pessoas acampadas em 23 estados.

Passados 30 anos da fundação do MST, as configurações do campo brasileiro sinalizam para a agudização das contradições que se acumulam como dívida histórica, desde a concentração das terras como mercadorias em oligopólios privados, a continuidade da expulsão do homem e da mulher do campo para inchar as grandes cidades, bem como a inundação de agrotóxicos que o modelo do agronegócio despeja anualmente nas mesas dos brasileiros. Durante todo século XX, os movimentos camponeses lutaram por terra e os governos que representavam os interesses da burguesia industrial aplicaram programas de reforma agrária clássica, que eliminava o latifúndio e democratizava a propriedade da terra para desenvolver o mercado interno.

Agora, é o capital financeiro e as empresas transnacionais que hegemonizam o capitalismo, e a eles não interessa mercado interno, nem democratizar o acesso a terra. Diante desse quadro, os movimentos camponeses propõem programa de reforma agrária popular amplo, que interesse a todo o povo, centrado na distribuição de terras, na produção de alimentos sadios, sem venenos, no uso da agroecologia e na democratização da educação e das agroindústrias. Portanto, os desafios continuam. 

As lutas que a sociedade tem que travar nesse importante período histórico é a da defesa de valores que o mundo vai esquecendo como a defesa da natureza, da biodiversidade, dos alimentos, da soberania alimentar como princípio de uma sociedade mais justa para todos indistintamente.

Sergiano de Lima Araújo 
sergiano_araujo@hotmail.com 
Professor universitário

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