‘Momento histórico’, comemoram ativistas sobre o primeiro beijo entre homens gays na Globo




O primeiro beijo entre homens gays, exibido nessa sexta-feira (31), pela TV Globo no último capítulo da novela “Amor à Vida” está sendo muito comemorado por ativistas que lutam pelos direitos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).

“Quebrou o tabu”, “Foi lindo”, “Entrou para a história do Brasil”, “Que venham outros” são algumas das falas ditas por ativistas à Agência de Notícias da Aids.

Assista aqui a cena do beijo protagonizado pelos atores Mateus Solano (Féliz) e Thiago Fragoso (Niko).

Leia abaixo os comentários dos ativistas:

Toni Reis, Secretário de Educação da Associação Brasileira de Gays, Lesbicas, Bissexuais e Transgêneros (ABGLT): Quebrou o tabu... Rede Globo, Parabéns - Ninguém tão ruim que não possa ser elogiada e nem tão boa que não possa ser criticada. O dito beijo saiu. Se foi técnico ou não técnico, o babado aconteceu. Este beijo sempre esteve na sociedade... Nas boates, nos bares, nos escurinhos do cinema e em outros lugares que prefiro não comentar... Que beijo lindo. “Que linda cena”, como diria um amigo meu intelectual... Uma cena "antológica". Um pequeno gesto para o autor Walcyr, para os atores Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) e diretores (as) da Rede Globo, porém uma grande evolução para sociedade brasileira. Foram muitos grupos focais, muitas pesquisas. E afinal aprovação de 68% da população... Acompanhei tudo de perto. De um gay que luta há 29 anos para se ver na TV, nos comerciais e nas revistas. Agora teve o beijo. Meus amigos héteros, não se preocupem vocês continuarão sendo héteros... Ou não. Não haverá terremoto e nem tsunami no Brasil como previram alguns fundamentalistas. Amei, chorei... Agora só falta aprovar a criminalização da "Homofobia". Presidenta Dilma, se a senhora quiser, a senhora aprova a criminalização da homofobia no código penal. Dá uma força... Entra para história como fez o querido Presidente Lula, criando o programa Brasil sem Homofobia. Um beijão para todos e todas. Principalmente aqueles que nos ajudaram. Beijem, muito. "Eu beijo homem... Eu beijo mulher... Eu beijo quem eu quiser" Será o nosso grito de guerra. Afinal beijar outro ser humano não é nojento... Nojento é matar e prejudicar o outro. Que bom se todos os males da sociedade fossem beijos. Respeito, sempre. Aceitação, se possível. Pelas famílias de todas as cores e de todos os amores. Agora é só falta Brasil ganhar a copa do Uruguai no Maracanã.

Beto de Jesus, ativista pelos direitos da população LGBT: É óbvio que esse beijo gay dado no final da novela não vai desconstruir as estruturas cristalizadas da homofobia, mas com certeza vai colaborar com o encorajamento de muitas pessoas e isso ajuda na construção de uma sociedade baseada em outros valores. Acho que o beijo foi lindo, foi esperado e vibramos com isso. Algumas pessoas estão fazendo analises e mais analises, dizendo que foi um beijo xoxo, etc. Não acho! Estou celebrando e gritei quando aconteceu e pude escutar nos prédios vizinhos a mesma repercussão. Venho de uma geração que o beijo em local público, entre pessoas do mesmo sexo, ainda era um tabu. Esse beijo não muda minha vida, mas chegou onde nossos discursos e ativismo não chegam, na casa das pessoas. Hoje quando sai pra tomar café conversei com várias pessoas na rua e elas estavam super contentes com o que viram. Isso é um reforço positivo na nossa luta. Que venham mais beijos, que venham mais direitos, que venham mais demonstrações de afeto.

Eduardo Barbosa, coordenador do Centro de Referência da Diversidade de São Paulo: Para além de um beijo, a interpretação especialmente de Mateus Solano e de Thiago Fragoso contextualizaram a vivência de vários gays. Neste caso que constituem uma vida em comum, com filhos, família, trabalho, amigos, não amigos, questões legais de partilha. A cena final entre pai e filho emociona pelo resgate do respeito e da vivencia do amor, o que não é comum em nossa sociedade mesmo entre heterossexuais. O beijo em horário nobre, da principal emissora a entrar nos lares brasileiros, traz a possibilidade de ampliar o diálogo e permitir que o tema permaneça em pauta. Passou da hora das produções televisivas deixarem de lado o medo de segmentos de nossa sociedade, retratando a vida de fato como ela é. O amor expresso no beijo, seja ele técnico ou não, desnuda o rei. Parabéns aos atores e autor e também a emissora por iniciar um novo ciclo.

Sander Simaglio, presidente do Movimento Gay de Alfenas: Um dia histórico para nossa grade de conquistas. Este beijo marca a historia da televisão, do ativismo LGBT e do Brasil. Aconteceu tarde, mas num momento importante, pois só em janeiro deste ano houve mais de 40 assassinatos à população LBGT. Estou feliz por fazer parte dessa história. Hoje (01) pela manhã aqui na rua onde trabalho, em Alfenas, o assunto é esse. Alguns contra, horrorizando, e outros a favor, vibrando. Para mim, o mais importante é manter o assunto dos direitos negados a nós LGBTs em pauta, seja na sorveteria, no boteco da esquina, na fila do supermercado...

Beto Volpe, ativista e integrante da ONG Hipupiara, de São Vicente: Foi um beijo contextualizado. Um beijo do amor que resgatou a dignidade de uma pessoa. Um beijo pra mostrar aos conservadores que nem tudo no meio gay é sexo, drogas e baladinha.

Pierre Freitaz, ativista pelos direitos da população LGBT e das pessoas vivendo com HIV e aids: Na verdade, eu faço uma avaliação muito mais ampla do que só o beijo ou na verdade um celinho de namorados. Acredito que a novela trouxe um pouco da realidade dos gays ou dos casais gays, onde são os gays que quando têm alguém com algum problema de saúde e ninguém se dispõe ajudar, que ficam com as responsabilidades na maioria das vezes. De qualquer forma, considero este beijo um avanço para a maior emissora do Brasil. Acredito que com toda a história em torno do núcleo Félix e Nico a forma que foi introduzido a relação dos dois e com e com o celinho no final foi bem gratificante e produtiva na contribuição, no mundo real, para as conquistas dos Direitos Humanos, Fundamentais, Civis e Sociais da população LGBT como um todo.

Fabrício Nunes, Associação Orquídeas GLBT do Amazonas: O beijo foi muito importante, já que a ficção imita a vida. Um marco na história de luta do Brasil, embora não seja o primeiro beijo... Houvevários, mas em horário nobre (estipulado pela Globo) é muito importante para a sociedade enxergar que por trás, existe amor... Gostei da forma como o Walcyr Carrasco colocou a cena, rodeada de um contexto em que mostrbva que entre pessoas do mesmo sexo, existe amor!



Lucas Bonanno

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