Saiba como ganhar dinheiro com a Copa do Mundo

A Copa do Mundo vai injetar R$ 1 bilhão na economia de Salvador, segundo previsão da  Secretaria Estadual do Turismo (Setur). O órgão espera 670 mil turistas, 70 mil vindo do exterior. Um público que, ao contrário dos visitantes recebidos em outras temporadas, tem alta escolaridade e renda superior aos R$ 5 mil por mês. O perfil do visitante da Copa também aponta para grupos majoritariamente formados por homens solteiros na casa dos 40 anos.
Os gastos desses turistas - baseado no que foi observado na Copa das Confederações - vão se concentrar em quatro grupos: hospedagem, alimentação, transporte local e presentes. Esta é a bússola a guiar o espírito empreendedor daqueles que também querem ter uma “renda extra padrão Fifa” no período que vai de 5 de junho a 20 de julho.
E oportunidades não faltam, bastar ter criatividade e visão de futuro para dar sustentabilidade ao negócio, afinal, a Copa passa e as contas ficam.
Hospedagem 
As chances de bons negócios estão, inclusive, no ramo de hotelaria. E não precisa ser um megaempresário para aproveitar. Uma casa com um quarto vazio já serve. É que o Ministério do Turismo já regulamentou a oferta aos turistas da modalidade Cama e Café (Bed and Breakfest, em inglês. Ou simplesmente B&B na linguagem dos turismólogos).

A categoria, apesar de nova, deve se sobressair na Copa, isto porque os grandes hotéis já estão com quase 100% de ocupação para os dias dos jogos. “Trata-se de outro perfil de hoteleiros, mas esses empreendedores são hoteleiros também”, definiu a superintendente de Serviços Turísticos da Setur, Cássia Magalhães.
Ela disse que a Setur identificou 118 empreendimentos de B&B na Bahia e que passou a ofertar qualificação para esses empreendedores. O próximo passo é certificar esses leitos, que, a partir das diretrizes do Ministério do Turismo, vão ser classificados entre uma e quatro estrelas. O objetivo é que a certificação esteja concluída em maio, a tempo de aproveitar o fluxo da Copa.
 
Apesar de o processo já avançado para esse primeiro grupo, Cássia Magalhães indicaria esse negócio como uma boa oportunidade para quem quer obter renda extra na Copa. “Novos cursos de qualificação serão abertos. E mesmo no período até o início dos jogos, a secretaria pode tentar ajudar, dando orientações necessárias”, falou, admitindo que há muita informalidade nesse mercado.

Segundo ela, o governo vai tentar formalizar todas os leitos do B&B da Bahia, para agregar novos atores à economia do turismo e qualificar destinos turísticos que não contam com suficiente oferta de hospedagem tradicional, a exemplo de cidades no interior.

A alta informalidade se explica pela natureza do negócio. Para hospedar turistas em sua casa, o empreendedor não precisa alterar sua rotina de vida, basta manter um celular ligado 24 horas por dia. O preço médio da diária de um quarto B&B, em alta estação, varia de R$ 110 a R$ 150, a depender da quantidade de estrelas do estabelecimento. O quarto deve ter, no mínimo, oito metros quadrados.
Banheiro privativo não é obrigatório, mas diferencial importante. Roupas de cama devem ser trocadas a cada três dias e o café da manhã ser oferecido, no mínimo, com café, leite, achocolatado em pó, chá, uma fruta, manteiga/margarina, pão, geleia, açúcar e adoçante.
 
“É um mercado competitivo, voltado para turistas que procuram hospedagem do tipo Low Coast (baixo custo). E diferenciais como localização e qualidade do serviço são importantes. É um negócio indicado para quem tenha ‘cabeça aberta’ e goste de trocar experiências culturais”, decreveu Carolina Chagas, consultora do Sebrae e coordenadora do curso de qualificação criado em parceria com a Setur.

Alimentação 
O setor de alimentação está cético em relação a 2014, segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seccional Bahia (Abrasel-BA), Luís Henrique Amaral. Para ele, a Copa será como uma alta estação, ou seja, um período bom em um ano ruim.

“Sabemos das oportunidades que o período traz. Mas também há riscos, pois um serviço 
malfeito pode gerar um boca a boca prejudicial para o estabelecimento e para a cidade”, explicou.

Ele afirmou que o período deve proporcionar a abertura de seis mil vagas temporárias (até 10% da mão de obra a mais que a da baixa estação). O desafio, segundo ele, é o de atender a grupos que se reúnem para assistir jogos que estão concentrados em poucos dias. Ele não acredita que haverá majoração de preços. “Nosso setor é diferente do de aviação e de hotéis”, afirmou.
“Nosso mercado não é exclusivo para turistas e não temos esta maleabilidade para alterar preços com facilidade. O mercado está saturado e já temos consciência de que nossos preços estão caros, mesmo sendo o setor com menor rentabilidade para os empresários”.
Mesmo com a cautela da Abrasel, o setor de alimentos é um dos que oferecem oportunidades, segundo o técnico do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-BA), José Élio de Souza. Para ele, a abertura de lojas voltadas para a venda de produtos orgânicos, por exemplo, pode ser uma boa opção.
“Há muito espaço hoje para a venda desses produtos. O empreendedor pode buscá-los na indústria e abrir pontos de venda especializados. Vai agradar aos turistas de países desenvolvidos e ter seguimento em Salvador, pois esse mercado é crescente”, disse.
Souza é gestor na Bahia do projeto Sebrae 2014, que tem o objetivo de orientar micro e pequenos empreendedores para aproveitar oportunidades no evento. A instituição fez um mapeamento e identificou as principais áreas de investimento possível. Confira o mapeamento, incluindo dados do Sebrae e de outras instituições ouvidas pelo CORREIO.

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