Mulheres manobristas enfrentam preconceito

Em São Paulo, unidade do laboratório Fleury tem 100% das manobristas mulheres Foto: Bruno Santos / Terra
Em São Paulo, unidade do laboratório Fleury tem 100% das manobristas mulheres
Foto: Bruno Santos / Terra

Renan Truffi
 

O perfil dos clientes e a localização de uma das unidades de uma rede de laboratórios fez a empresa adotar uma medida pouco vista em estabelecimentos com estacionamento no País. Na unidade do Jardim América do grupo Fleury Medicina e Saúde, 100% das manobristas são mulheres. Além de inserir a mulher em um mercado de trabalho normalmente restrito a homens, a empresa resolveu apostar nelas por causa do “atendimento atencioso e delicado”.
A mudança foi feita em parceria com a Maxipark, responsável pela administração de alguns dos estacionamentos da rede Fleury. Mas, não foi tão fácil assim achar mulheres com experiência na área. Das seis manobristas mulheres que trabalham no Fleury do Jardim América, só duas já tinham experiência como motoristas, de acordo com o gerente do Fleury, Clóvis Porto. Duas vieram de telemarketing, uma era segurança e a outra recepcionista.
Aliás, foi na seleção de emprego para recepcionista que Camila Lourenço, 30 anos, soube que a empresa procurava manobristas mulheres. Como ela tinha carteira de motorista e dirigia com frequência, resolveu participar do processo seletivo. Fez o teste prático, mas achou que foi mau. Era a única mulher entre cerca de 20 homens que disputavam a mesma vaga. Mas acabou selecionada e passou por uma semana de treinamento, comandada por outra mulher, a gerente de operações da Maxipark, Luciana Ferreira.
Segundo Luciana, na semana de treinamento, as funcionárias aprendem tanto a recepcionar o público como a lidar com os “vários tipos de câmbios diferentes”. Como os clientes do Fleury Jardim América são de alto poder aquisitivo sempre aparecem novidades automobilísticas, que Luciana corre para mostrar paras as manobristas. Mas, o fato de terem que trabalhar com carros muito valiosos também causou certa desconfiança por parte dos clientes no início. A manobrista Patricia da Silva, 37 anos, conta que vários clientes já desistiram de deixar o carro com ela quando percebiam que se tratava de uma mulher. Nessas situações, elas são treinadas para auxiliar. “Indiquei uma vaga e ele mesmo estacionou o carro”.
Mas, com o tempo, elas têm ganhado a confiança de outros frequentadores do laboratório. Em uma das vezes que recebeu as chaves de um cliente homem, Camila passou por um “teste”. “Ele ficou olhando para ver se eu estacionava certo. Na volta, pediu que eu pegasse o carro para ele e me deu os parabéns”, contou. O Fleury já estuda estender a ideia, em parceria com a Maxipark, para outras unidades da capital paulista, mas nem todas têm “estrutura física” para a mudança, segundo Porto.
”Operações em empreendimentos na área de saúde têm características especiais, portanto exigem um atendimento diferenciado. Por isso, o cuidado com alguns detalhes e comportamentos torna-se ainda mais importante, e as mulheres dessa equipe, que receberam um treinamento minucioso, têm uma maneira delicada e atenciosa de atender”, explica o diretor de patrimônio, João de Lucca.

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