Mandioca uma cultura em ascensão. Basta endireitá-la

Em duas colunas de 2009 para Terra Magazine usei expressão popular para criticar a forma como são levadas certas situações no Brasil: “de qualquer jeito, como Deus criou a mandioca”.
Fui injusto. Com a mandioca. Raiz comestível, associada à alimentação indígena, seu aspecto não prima pela uniformidade. Nem por isso deixa de ter sabor delicioso e sua farinha ser indispensável para acompanhar a culinária nacional.
 
Segundo o IBGE, em 2010, o Brasil plantou 1,8 milhão de hectares de aipim, macaxeira, mandioca, enfim, como a sua região preferir. Produziu 25 milhões de toneladas. Pará, Paraná e Bahia, na ordem, são os estados com maior produção. Detêm 50% dela. Cultura com forte apelo de subsistência, sempre foi plantada com baixo nível tecnológico. Ainda assim, o Brasil representa 15% da produção mundial.
 
Nos últimos dez anos, seu consumo vem crescendo para além da alimentação, o que justifica maior aplicação de insumos à cultura. A utilização industrial se deve ao amido nela contido. No período, a produção de fécula cresceu a uma taxa anual de 6%, até atingir cerca de 650 mil toneladas, em 2009, 71% fabricadas no Paraná.
 
O produto se presta a diversas aplicações nas indústrias química, alimentícia, metalúrgica, papeleira, têxtil, farmacêutica, plástica, em lamas para perfuração de poços de petróleo, lavanderias etc. Entre amido modificado e fécula in natura, em 2010, o Brasil exportou US$ 40 milhões. O que me fez voltar à mandioca foi uma visita à sede da C.Vale que, segundo o ranking do “Valor 1000 – Ed. 2012”, tem a terceira maior receita entre as cooperativas agroindustriais do país (R$ 2,8 bilhões).
 
Além de processar e armazenar grãos, vocação agrícola do oeste paranaense, a cooperativa é expressiva nas cadeias avícola e de suínos, produção de leite e rede de distribuição. Com 13.000 associados nos estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e no Paraguai, emprega quase 6.000 pessoas. Sua sede fica em Palotina (PR), grande polo produtor de grãos e amigos. Abraços.
 
Bem, e a mandioca?
Ela está em 32.000 hectares da região, 400 deles cuidados pela própria cooperativa, e em duas beneficiadoras da C.Vale, em Terra Roxa e Assis Chateaubriand, que no ano passado viram passar por lá 110 mil toneladas de raiz. E não foi "de qualquer jeito, como Deus criou a mandioca”.
 
Nota: mais informações no site da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (ABAM)

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