Editorial: Sexualidade dos poderosos

Durante a última semana, colunistas e reportagens de diversas publicações especularam sobre a real relação entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Rosemary Novoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo que foi indiciada pela Polícia Federal sob acusação de corrupção passiva e tráfico de influência. Segundo as investigações da PF, Rose usava a proximidade com o presidente para conseguir a nomeação de pessoas a postos-chave em agências reguladoras.
 
Também agendava encontros entre empresários mal-intencionados e agentes do governo federal e dos estados. Não faltaram detalhes sobre as viagens que Rose fez ao exterior com o então presidente; 28 no total, sempre sem a presença da primeira-dama Marisa Letícia. Há relatos sobre acessos à área reservada do aerolula e estadas na mesma ala de hotéis. A sexualidade de presidentes sempre foi motivo de boatos no Brasil. Getúlio Vargas se engraçava com vedetes. Juscelino Kubitschek teria morrido, ou sido assassinado, segundo alguns, em um acidente após encontrar a amante. Fernando Henrique Cardoso se envolveu com uma repórter da Globo, que teve de mudar de país.
 
No mundo, os casos são ainda mais rumorosos. O norte-americano Bill Clinton quase perdeu o mandato quando foi revelado o que fazia com a estagiária Monica Lewinsky no salão oval da Casa Branca. As festas "bunga-bunga" (orgias) de Silvio Berlusconi serviram para minar sua popularidade na Itália, se bem que ele caiu por questões econômicas, não sexuais. A imprensa no Brasil, como a França, tem tradição de preservar a vida privada de seus dirigentes. Por que está sendo diferente com Lula desta vez, apesar de os jornais apenas insinuarem, sem cravar nada?
Porque transcrições de e-mails indicam que Rose usava de toda sua intimidade com o ex-presidente para favorecer pessoas que acabaram criando uma quadrilha dentro do poder. Quando questões privadas invadem a pública, em prejuízo de todos os cidadãos, o silêncio passa a ser conivência. Algo que não se espera de uma imprensa séria.

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