Filha diz que Nelson Rodrigues 'não era machista, era pernambucano'

Nelson Rodrigues, o grande homenageado da Festa Literária de Pernambuco (Fliporto) de 2012 tinha fama de machista. Para a filha do escritor e dramaturgo, Maria Lúcia Rodrigues, o pai não era machista, era 'apenas pernambucano', entendendo a alma das mulheres, principalmente aquelas da 'dita vida alegre' como ninguém. Ela e a irmã Sônia participam, no domingo (18) às 10h, junto a Adriana Armony, do painel 'As mulheres (d)e Nelson Rodrigues', com transmissão ao vivo pelo G1.
 
Para evitar equívocos, Maria Lúcia logo explica por que define o pai como pernambucano. "Ele tinha essa coisa de ver a mulher como um ser que eles queriam proteger, talvez um pouquinho conservador, mas não machista. Inclusive [ele tinha] uma comrpeensão, uma piedade muito bonita com as chamadas ‘mulheres da vida alegre', entendia a alma delas", afirma Maria Lúcia.
Sônia acrescenta ainda que as mulheres sempre foram muito importantes na vida e na obra do pai. O motivo? "Talvez isso tenha a ver com a própria vida dele. Na autobiografia que organizei, ele abre o depoimento sobre a vida dele contando como a mãe vendeu tudo o que tinha e foi para o Rio de Janeiro encontrar o marido. As mulheres de Nelson são mulheres fortes. Acho que é por isso que nós filhas temos o tempo todo de resgatar a memória, esclarecer equívocos sobre a vida dele, preservar a obra. Ele teve essa marca", defende Sônia.
Responsável por reunir 40 anos de entrevistas e depoimentos de Nelson Rodrigues, transformando-os em uma autobiografia, Sônia conta que o material reunido no livro está disponível no site dedicado ao pai. "Tem pouca coisa que meu pai escreveu no livro, tem basicamente, depoimentos. Meu pai deu uma quantidade enorme de entrevistas, algumas delas fundamentais. Entrevistas históricas, como com [Luiz Antonio] Villas Boas Corrêa. Tem muitas frases do meu pai que estão dentro dessas entrevistas que eu fui desentocando, tirando as perguntas e deixando apenas as respostas. As minhas emendas estão em negrito", explica Sônia.
Lembrando sempre do pai com carinho, Maria Lúcia diz que, com as filhas, ele era um pai conservador. "Ele era um pai muito severo, mas ótimo. Tinha um carinho contido, uma pessoa que eu podia contar, mas que não gostava que eu fumasse. Um dia ele soube que eu fumava e ficou indignado, por isso [eu digo que ele era] talvez um pouco conservador. Mas um excelente pai, uma excelente pessoa", afirma Maria Lúcia.

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