Cotas raciais: preconceito velado!

ralas1 Cotas raciais: preconceito velado!
 
Diferentes raças: somos todos iguais

Voltaram à tona as discussões sobre a criação de cotas raciais no ensino universitário. Em São Paulo a USP está sendo criticada por protelar, o máximo possível, a criação de um programa que destine parte das suas vagas para afrodescendentes e pessoas carentes. A Universidade alega que vai, primeiro, fazer um seminário para discutir a questão. No momento em que isso se torna frequente em nossas manchetes, o Governo Federal anuncia que vai ampliar seu programa de cotas raciais, também, para o serviço público. É o que o governo chama de "políticas afirmativas". Afirmativas do que? De que devemos tratar certas etnias de forma diferente como se fossem inferiores? Me desculpem caros amigos, mas não vejo as cotas raciais como solução.
 
Há muito se foi o tempo em que os negros (que alguns preferem se intitular afrodescendentes) eram escravos a serviço de coronéis. A civilização evoluiu e apesar de ainda haver certa discriminação social e racial, o Brasil não é e nunca foi considerado um país racista. Pelo contrário, o orgulho é termos em nossas raízes etnias e culturas que se fortaleceram com a história desses escravos que por aqui chegaram e viveram.
 
Se por um lado o programa de cotas raciais cria mais oportunidades para que afrodescendentes e pessoas carentes consigam estudar ou trabalhar no serviço público, ao mesmo tempo surge mais como um atestado de discriminação e preconceito que estamos assinando ao permitir sua criação. Eu não consigo enxergar que uma pessoa negra seja diferente de mim, não tenha as mesmas oportunidades profissionais ou pessoais. Mas ao criar cotas estamos dizendo a eles: "olha, vocês são diferentes portanto precisam de um empurrãozinho". Acho que estaremos diminuindo a importância que esses seres humanos, como quaisquer outros, tem na nossa sociedade.
 
Me pergunto, muitas vezes, porque isso acontece com os afrodescendentes. Judeus também foram subjugados pelos alemães e os japoneses foram massacrados pelos americanos. Ambos, talvez, de forma muito mais cruel. E nem por isso eles tem dia especial considerado feriado ou vaga especial em universidades. Porque? Porque são raças como quaisquer outras, importantes para a nossa sociedade, no processo de construção de uma cidadania forte e sólida. Assim como a raça negra que, cada vez mais, conquista espaço na política, na justiça (vide o ministro Joaquim Barbosa), nas artes, no mundo empresarial, na cultura, nas ciências, em todas as demais áreas. E duvido que alguns desses iluminados tenham necessitado de uma cota racial numa universidade ou no emprego para chegar onde chegou.
 
Acho a questão das cotas uma discussão pífia e preconceituosa, uma perda de tempo que só reforça a discriminação racial e torna diminuta a capacidade de conquistas de um povo tão raçudo e forte. Cor não define competência e esse tipo de proposta subestima os negros. Ou será que num concurso público qualquer ou vestibular eles preferiam ser escolhidos pelo tom da pele e não pela sua capacidade e qualificação? Isso cheira mais a uma jogada político-eleitoreira em que partidos adversários tentam levantar bandeiras sobre o que consideram certo ou errado mas não explicam porque.
 
A nossa sociedade até tenta enxergar que as diferenças não existem mais, mas determinadas políticas públicas fazem questão de ressaltar que brancos, negros, japonese e indios são diferentes, merecem ser tratados de forma individual. Chega de preconceito! Pobres, miseráveis e portadores de deficiência física e mental sim, independente da cor ou raça, precisam ter políticas bem definidas para que a distância entre as classes sociais não seja tão imensa e tão injusta. Agora, afrodescendentes não precisam de esmolas em forma de cotas raciais para serem melhores, para conquistarem seu lugar na sociedade. Isso eles já conseguiram. E com louvor!
 
Ao invés de criar cotas, o governo deveria - isso sim - investir na qualidade do ensino publico em todos os níveis, pagando e preparando melhor os professores e estruturando mais as escolas e as políticas de ensino. Isso traria mais resultados e tornaria dispensáveis as discussões polêmicas e anti-democráticas que, na minha opinião, só diminuem a importância de determinados grupos sociais.

#Fale conosco

Nome

E-mail *

Mensagem *