A Igreja Mórmon, o segredo mais bem guardado de Romney

Conservador declarado, empresário de sucesso e ex-governador de Massaschusetts, o republicano Mitt Romney acredita ter todas as credenciais para ser o próximo presidente dos Estados Unidos, mas em muito poucas ocasiões menciona uma parte muito importante de sua história pessoal: a religião mórmon.
 
Romney está prestes a ser formalizado candidato republicano à Presidência, nesta quinta-feira, último dia da convenção do Partido Republicano, em Tampa (Flórida, sudeste), com um discurso decisivo segundo todos os observadores e com pesquisas de opinião que demonstram que, em nível pessoal, ele está longe da popularidade do atual presidente e adversário na disputa pela Casa Branca, Barack Obama.
 
Mas a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a que pertence desde que nasceu, não é mencionada em momento algum pelos grandes oradores do partido. Sua esposa, Ann, descreveu o marido como um esposo atencioso e um pai (de cinco filhos) perfeito, seus aliados o apresentam como um homem tímido, que doa dinheiro para a caridade e evita a publicidade, mas a palavra mórmon parece um tabu para todos em Tampa.
 
Muitos eleitores republicanos, especialmente os evangélicos mais ferrenhos, olham com desconfiança para esta religião de origem polígama e alguns a consideram, inclusive, uma heresia. "Esta é a causa fundamental para não fazer deste assunto um tema central", explicou Charles Franklin, especialista em religiões. Fundada em 1820 por Joseph Smith, no estado de Nova York, a Igreja Mórmon é conhecida pelo zelo de seus missionários, que pregam incansavelmente em todo o mundo, e por proibir o consumo de álcool, tabaco e cafeína.
 
Os Estados Unidos têm seis milhões de mórmons e três em cada quatro descrevem a si próprios como conservadores. Romney pode contar com a maioria esmagadora destes eleitores, mas precisa convencer o restante dos americanos de que sua fé não vai interferir em sua vida pública. Segundo uma consulta divulgada em março pela Bloomberg News, um em cada três americanos tem opinião negativa sobre a Igreja Mórmon.
 
Há indícios de que a postura do candidato começou a mudar: no começo de agosto começou a convidar jornalistas para acompanhá-lo em cultos religiosos de sua Igreja. Sua assessoria de imprensa, no entanto, se recusa a comentar os artigos que evocam seu forte compromisso com o movimento, do qual foi missionário na juventude e, em seguida, "bispo" laico em Boston.
 
Multimilionário graças à empresa Bain Capital, da qual é cofundador, Romney doa grandes quantias de dinheiro anualmente à sua Igreja. Este detalhe pode ser uma boa forma de abordar este aspecto secreto da vida de Romney. "É difícil pensar que se possa chegar até aqui (a indicação à Presidência) sem abordar esta parte da tua história", afirmou à AFP Franklin, da Universidade de Wisconsin-Madison e cofundador do site Pollster.com.
 
Romney não é o primeiro mórmon que tenta chegar à Casa Branca. O fundador do grupo religioso também o fez em 1844, precisamente para obter mais liberdades civis para seus correligionários. O próprio pai de Romney, George, também tentou sem sucesso ser o candidato republicano nas eleições de 1968. Jon Huntsman, ex-governador de Utah, foi outro candidato mórmon este ano, mas teve que desistir em janeiro.

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