Escarificação desafia preconceitos e ganha adeptos no Brasil

A modificação corporal é vista por alguns como arte. Por outros, como mutilação
Suspensão corporal já virou uma das atrações da Virada Cultural de São Paulo. Foto: Reprodução
 
Suspensão corporal já virou uma das atrações da Virada Cultural de São Paulo.

Manaus - Até que ponto a arte pode machucar as pessoas? Esta deve ser a questão da maior parte do público, quando assiste uma sessão de escarificação. A definição é simples: cicatriz no corpo feita por instrumento cortante com intenções espirituais ou estéticas. A prática é dividida em diferentes tipos conforme o material e as técnicas utilizadas, que podem ser de cortes de lâminas de aço carbono à queimaduras feitas por placas de aço e até à marcas produzidas por lasers.
Para o artista corporal e organizador do primeiro evento de escarificação da América Latina, o Conscar (Convenção de Escarificação), Luciano Iritsu, a escarificação e outros tipos de modificações no corpo não são modismos, mas arte.
"As modificações mais extremas não serão aceitas por toda sociedade, contudo, são vistas como arte por quem faz arte. O que eu quero e luto é para acabar com o preconceito e mostrar que as pessoas que fazem e gostam de arte corporal não são um bando de alienados e que existem sim profissionais sérios e competentes que modificam o corpo", salientou.
Iritsu conta que trabalha no ramo das modificações no corpo há mais de 10 anos e que para as escarificações mais simples, cobra de R$150,00 a R$200,00 aumentando o valor de acordo com o tamanho e detalhamento do corte feito. Em Manaus, ainda não existe estúdios que trabalham com esse tipo de mudança.
Para a dermatologista Eleonora Dantas, a prática é uma forma de agressão à pele e de automutilação. "Sou contra. Cortar a pele dessa maneira é abrir a porta para infecções. Contudo, quem estiver disposto a fazer deve ficar atento principalmente à assepsia do material usado", afirmou.
Modificação corporal como um ato de embelezamento
Enquanto alguns vêem a modificação corporal como algo feio e repugnante, outros encaram as perfurações como um modo de se sentirem mais bonitos ou entrarem em contato com o seu mundo espiritual.
"Nunca fiz escarificação, mas suspensão corporal já. Inclusive a última foi no 3º Amazon Expo Tattoo, (convenção de tatuagem que aconteceu, em Manaus, no último domingo, 29). Faço pelo desafio físico e pelo lado espiritual, transcendo nessas horas. É muita adrenalina. Uma sensação de liberdade sem igual", relatou Deives Levy, 26 anos, tatuador amazonense e novo adepto da suspensão corporal.
A suspensão corporal é outro tipo de modificação no corpo que consiste em pendurar uma pessoa por ganchos, em geral, aqueles usados para pesca em alto mar inseridos como piercings temporários. Existem as suspensões que são elaboradas para serem expostas ao público e outras onde o praticante prefere privacidade.
Tatuagens e piercing já sofreram preconceito
O preconceito contra as 'body modifications' se assemelha ao que sofreram os primeiros adeptos à tatuagem e piercing. O mercado, porém, parece abrir novas frentes e opções em clínicas de cirurgia plástica e estúdios especializados. http://www.d24am.com/plus/moda-beleza/escarificacao-desafia-preconceitos-e-ganha-adeptos-no-brasil/64962

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