Representantes de várias religiões prestam homenagem a dom Eugenio

Corpo do cardeal foi enterrado na cripta da catedral. Arcebispo emérito do Rio morreu na segunda-feira, após sofrer infarto.

Líderes de diferentes religiões sentam-se, lado a lado, para se despedir de dom Eugenio Sales  (Foto: Bernardo Tabak/G1)
 
 
Líderes de diferentes religiões sentam-se, lado a lado, para se despedir de dom Eugenio Sales (Foto: Bernardo Tabak/G1)
 
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Representantes de diversas religiões prestaram a última homenagem ao ex-cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugenio Sales, velado e sepultado na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, no Centro da cidade, na tarde desta quarta-feira (11). Muçulmanos, judeus e reprsentantes do Candomblé, entre outros, sentaram-se, lado a lado, na primeira fila da catedral.
"O gesto de a Igreja Católica ter convidado a gente na hora da sua dor é um exemplo da fraternidade entre as religiões no Brasil”, ressaltou o babalaô Ivanir dos Santos, que também é membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro. “Enquanto no mundo os integrantes de diferentes religiões estão se matando, no Brasil a gente tem conseguido a união entre as diferentes religiões”, acrescentou. “Religião nenhuma deve perseguir ninguém”, disse.
Diane Kuperman, que há mais de 30 anos é diretora do Diálogo Interreligioso da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj), recorda que dom Eugenio Sales “foi o primeiro cardeal a pisar em uma sinagoga” no Rio de Janeiro. “Em 1981, eu o convidei para ir a uma sinagoga. Para o espanto de todo o colegiado católico presente, dom Eugenio, que era tido como um sacerdote fechado, introspectivo, respondeu: ‘Estava esperando por esse convite’”, conta ela.
“No mesmo ano, ele foi à Sinagoga da Associação Religiosa Israelita, onde, do púlpito, ao lado de rabinos e padres, falou a todos da importância desse novo tempo de fraternidade entre as religiões”, ressaltou Diane.

Sheik Ahmad (ao centro) discute com o diácono Nélson (à direita) (Foto: Bernardo Tabak/G1)
 
Sheik Ahmad (ao centro) discute com o diácono
Nélson (à direita) (Foto: Bernardo Tabak/G1)
Desavença entre representantes do Islamismo

 Entretanto, uma desavença resultou em uma discussão entre o sheik Ahmad, presidente da Federação Muçulmana do Estado do Rio de Janeiro, e o diácono Nélson, que estava organizando a fila onde se sentaram os líderes religiosos. “O diácono me retirou da cadeira e pediu que me sentasse lá atrás. Lamentavelmente, vocês acabaram de presenciar um preconceito contra a federação. Estamos sendo desrespeitados”, afirmou Ahmad. “É uma divisão que existe entre os muçulmanos”, rebateu o diácono. “Ele (o sheik Ahmad) não representa a religião”, acrescentou Nélson.

Sami Ahmed Isbelle, diretor do Departamento Educacional da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro, endossou o diácono Nélson: “Ele (o sheik Ahmad) nem é sheik. Se formou há apenas seis meses.” Isbelle disse que o representante do Islamismo no velório era o sheik Mohamad Al Bukai, da União Nacional das Entidades Islâmicas do Brasil, que se sentou no lugar onde antes estava o sheik Ahmad. “É um dia triste para nós, da comunidade muçulmana”, contemporizou sheik Mohamad. “Dom Eugenio se dedicou não apenas à religião católica, mas trabalhou também pelo diálogo entre as religiões e pela justiça social. Trouxe minhas condolências”, concluiu Mohamad.
Simpatizante do Rastafarianismo, Francisco de Assis Pinheiro se despediu de dom Eugenio (Foto: Bernardo Tabak/G1)
 
Simpatizante rastafári, Francisco de
Assis Pinheiro se despediu de dom Eugenio
(Foto: Bernardo Tabak/G1)
Católico simpatizante do rastafári

Distante da primeira fila, mas atento às missas ao longo do dia, o aposentado Francisco de Assis Pinheiro, com suas tranças ao estilo “dreadlock”, estava com anéis e uma calça nas cores verde, amarela, vermelha e preta, cores presentes nas bandeiras da Jamaica e da Etiópia, países onde o rastafarianismo se originou. Ele foi se despedir de dom Eugenio Sales. Na camisa, três grandes letras maiúsculas: “PAZ”.

“Eu sempre fui muito fã de Bob Marley, e gostava muito dessas cores. Acabei me tornando simpatizante da religião rastafári”, conta Pinheiro, referindo-se ao cantor jamaicano de reggae, um dos símbolos do Rastafarianismo. “Mas sou católico, e venho à Catedral Metropolitana desde que foi inaugurada. Hoje, vim prestar minha homenagem a dom Eugenio”, finalizou.

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